Duas afirmações quase contraditórias têm feito correr tinta na imprensa: Portugal é dos países mais seguros do mundo e existe uma “perceção” de insegurança. Perceções são perceções e factos são factos e a nós, agentes da segurança pública, pouco interessam os motivos de quem quer vender uma ou outra ideia.
Para se dar resposta a esta questão não é necessário inventar nada. Portugal é seguro graças ao esforço e empenho de todos os executores da segurança pública e a perceção de insegurança combate-se com policiamento preventivo, de proximidade e com visibilidade.
Implementar esta fórmula é simples, assim exista vontade política: invista-se em meios humanos e materiais; supram-se carências de efetivo; dignifiquem-se as carreiras e remunerações daqueles que são o rosto da segurança pública. Tem aqui o MAI uma oportunidade única, dependendo de aquilo que apresentar nas negociações que estão em curso.
Uma segurança pública vocacionada para intervenções a quente por falta de meios humanos para tentar garantir a tal proximidade e visibilidade alimenta as famigeradas perceções geradoras de insegurança, designadamente numa sociedade em que o crime se tornou entretenimento televisivo.
César Nogueira, Presidente da Associação dos Profissionais da Guarda
IN Correio da Segurança | 22-01-2025 | jornal Correio da Manhã

