Estamos num tempo em que aquilo que não aparece frequentemente nos ecrãs parece que não aconteceu. Talvez seja por este motivo que os contínuos protestos dos profissionais da PSP e da GNR, que têm decorrido por todo o país, não tenham chegado ao conhecimento público na sua real dimensão. Mas que não se desmereça o sentimento de indignação e protesto que hoje se vive nestas instituições policiais. Aliás, conhecida a proposta de Orçamento de Estado, documento que replica erros do ano anterior, se já tínhamos razão em manter os protestos pelas reivindicações salariais e de dignificação na carreira, mais razão temos hoje.
Desempenhamos uma função central do Estado de direito democrático e, se se acha que as preocupações dos cidadãos passam quase exclusivamente pelo futebol e pela seleção, é urgente que se perceba as potenciais gravosas consequências da revolta sentida por aqueles que têm como missão garantir a segurança pública, que são de outra ordem. Amanhã será tarde. Com ou sem ruído público, não cessaremos os protestos, até que o Governo queira compreender o que está em causa e oiça a nossa voz.

