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JOSÉ ALBERTO DA ROCHA SOARES: UM EXEMPLO DE COMPROMISSO E DIGNIDADE

Recordar José Soares (22/06/1961 – 15/10/2024) é muito mais do que evocar um nome. É prestar homenagem a um homem que dedicou grande parte da sua vida à causa colectiva, à defesa intransigente dos direitos dos profissionais da Guarda Nacional Republicana.

Quem teve o privilégio de se cruzar com o “Soares”, como todos lhe chamávamos, reconhece-lhe uma verticalidade e humanismo inabaláveis, características que o acompanharam sempre na sua vida pessoal, profissional e associativa.

Quem foi o “Soares”? José Alberto da Rocha Soares integrou a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) em 1999, após a extinção da Guarda Fiscal, trazendo consigo a firmeza de valores e a experiência de quem sempre entendeu o serviço público como um acto de entrega e responsabilidade.

Prestou serviço na Brigada Fiscal e, após a sua extinção, na Unidade de Controlo Costeiro da GNR.

Assumiu, desde o início, o papel de delegado regional de Setúbal da APG/GNR, destacando-se pela seriedade, pela coragem, pela dedicação e capacidade de unir em torno de si colegas das mais diversas sensibilidades.

Ao longo dos anos, desempenhou diversas funções de elevada exigência e responsabilidade na estrutura da APG/GNR, tendo sido Dirigente Nacional, Coordenador da Região de Lisboa, Tesoureiro e mais recentemente, Presidente do Conselho Fiscal — funções que sempre abraçou com um rigor ético inabalável e uma competência reconhecida por todos.

O “Soares” não tinha pejo em falar da sua vida pessoal, do seu percurso de vida. Falava muitas vezes da sua juventude e infância. Referia frequentemente o esforço que fazia em criança para poder deslocar-se até à escola, em direcção à qual palmilhava muitos quilómetros todos os dias. Fazia-o para explicar que sem esforço e determinação nada se faz. Teve uma vida difícil. As coisas fáceis não eram para si.

O Soares nasceu a 22/06/1961, na margem esquerda do Douro, na aldeia de Raiva, do Concelho de Castelo de Paiva, num Portugal rural que não era meigo com todos aqueles que tinham poucos recursos, ainda antes do Portugal de Abril. A tragédia de Entre-os-Rios que marcou de forma negra o concelho em que nasceu e a necessidade de renascer e de reagir simbolizam de alguma forma a personalidade do Soares, que não se deixava intimidar com o acaso, com os obstáculos e muito menos com a prepotência que vigorava na Guarda Nacional Republicana quando nela ingressou. Criticava aqueles que se deixavam levar pelo facilitismo, que não valorizavam o esforço que implicava conquistar os direitos de que usufruíam.

O Soares era um homem de luta, de democracia, de convicções. Sempre teve consciência que a sua qualidade de dirigente associativo podia torná-lo alvo de pressões e perseguições na Instituição e isso aconteceu, mas nem por isso deixou de agir em defesa e representação dos seus camaradas, referindo sempre que um bom dirigente tem sempre que ser primeiro um excelente profissional. E o Soares era.

O Soares tinha palavra e honrava-a. Tinha uma postura serena, mas firme, sabia ouvir e agir, com justiça e sensatez. Era, acima de tudo, respeitado pelos seus pares — pela sua integridade e pelo seu exemplo.

O Soares não era só razão, também era coração e punha-o na sua actividade associativa. Preocupava-se genuinamente com tudo o que acontecia, com a sua família, com os seus camaradas, com a APG/GNR.

A partida prematura do Soares deixou-nos a todos de luto, amigos e família, dirigentes, camaradas e funcionárias da APG/GNR. O seu legado, contudo, permanece vivo. Está presente nas causas que abraçou, nas lutas que travou e que os dirigentes da APG/GNR prosseguem, tendo-o como exemplo de combatividade, justiça e democracia, bandeiras que sempre levantou bem alto.

Em tempos tão exigentes como aqueles em que vivemos o José Soares é, e continuará a ser, um exemplo de compromisso e dignidade para o associativismo profissional na GNR. Recordar o Soares é lembrar que vale a pena lutar, com coragem e com princípios, por uma Guarda democrática e humanizada, com profissionais com direitos e condições de trabalho dignas.

É com profunda gratidão que APG/GNR neste texto honra a sua memória. Até sempre Soares.

in “dignificar”, publicação da Associação dos Profissionais da Guarda APG/GNR, Ano XXV, nº 3,  Outubro 2025, Tiragem: 5000 exemplares, Periocidade: Semestral.

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