Têm vindo a público notícias de profissionais da GNR apanhados a dormir em serviço: uns foram punidos, outros não.
Não se olhe para estes casos de forma leviana – são a ilustração de uma realidade incompatível com um Estado democrático.
Os profissionais da GNR adormecem por motivos muito humanos: o cansaço, a exaustão.
Na GNR cumpre-se um horário semanal de 40 horas e, ao serviço diário, somam-se os serviços remunerados, prestados fora do horário normal e por vezes ilegitimamente impostos, o que se pode traduzir em jornadas contínuas de 16 horas. E, se alguns destes serviços são cumpridos de forma voluntária é porque são uma forma de complementar os reduzidos vencimentos na GNR.
Ainda, aos profissionais da GNR é aplicável o Código de Justiça Militar, o que invariavelmente resulta em penalizações robustas, mesmo que esteja em causa uma infração sem relevância.
Importa que a Tutela retome de imediato as negociações acordadas na anterior legislatura e que assuma com coragem a necessidade de agir, apresentando medidas que determinem a não-aplicabilidade do CJM à GNR, remunerações dignas e uma regulamentação do trabalho que respeite a condição humana, os nossos direitos, liberdades e garantias.

