O início da época de incêndios, a que os profissionais da GNR respondem na primeira linha de intervenção, poderia dar visibilidade ao perigo que diariamente corremos, mas outros justíssimos intervenientes costumam assumir o palco. Falo dos incêndios como poderia falar dos profissionais que perderam a vida em serviço ou que são agredidos e sofrem sequelas para toda a vida.
Ainda assim, há uma resistência tremenda em reconhecer o contexto em que trabalhamos, travando valorizações remuneratórias que ultrapassem as estipuladas para função pública, descartando-se o desgaste rápido e o risco que acompanha a nossa profissão.
Mas não quero ser injusto: o Estado reconhece a importância das nossas funções e por isso impõe deveres acrescidos e restringe-nos o exercício de direitos de cidadania. É-nos imposta a contraditória igualdade com os restantes cidadãos, por exemplo, no que tange ao cálculo das reformas, ao mesmo tempo que nos é vedado o direito de associação sindical.
Somos “iguais” quando os funcionários públicos estão na mira do Governo, mas sempre “diferentes” no acesso a direitos.

