Decorridos 49 anos da instituição de um regime democrático em Portugal, muito ainda há por fazer na GNR. Persistem laivos de um tempo que não deixa saudades, em que a Instituição põe e dispõe dos homens e mulheres que a servem, impondo serviços remunerados que são pagos tardiamente, cumpridos com grande esforço, fora do horário normal de trabalho, desconsiderando o direito dos profissionais à harmonização da sua vida familiar com a vida pessoal por via de normas de colocação “ad hoc” que mantêm longe das suas famílias centenas de profissionais das especialidades, vedando o acesso às especialidades a todos os que têm horário flexível decorrente das suas obrigações com os seus filhos menores, impedindo-se que a progressão na carreira seja justa e transparente, por via de um sistema de avaliação subjectivo que não permite a valorização de todos aqueles que efectivamente possuem mérito para tal.
Este ano, se nenhuma hecatombe ditar o contrário, comemora-se pela primeira vez um período de democracia superior ao da ditadura, que durou 48 anos, pelo que é mais que oportuno relembrar que só um regime democrático é compatível com uma sociedade humanizada, com o respeito por direitos, liberdades e garantias conquistados com Abril.
Também porque o direito à segurança e tranquilidade públicas são direitos de democracia e porque, enquanto estrutura do associativismo profissional a APG/GNR é também, só por si reflexo de democracia, a Associação dos Profissionais da Guarda não podia deixar de participar nas celebrações do 25 de Abril, pelo que apela, desde já, à participação dos profissionais da GNR nos desfiles que terão lugar nas cidades do Porto e Lisboa.
Os profissionais da GNR não têm memória curta e no próximo dia 25 irão relembrar os valores de Abril, que têm poder reivindicativo, que exigem o cumprimento de de valores democráticos basilares, como o direito de associação sindical.
Os profissionais da GNR têm voz e querem ser ouvidos, não aceitam que lhes seja imposto o silêncio, como se Abril não tivesse existido!
A Direcção Nacional

