As festas partidárias são palco para discursos genéricos: o essencial fica, mais uma vez, para trás. Promete-se muito, concretiza-se pouco.
Este Governo entrou na fase do “chove mas não molha” e, para as Forças de Segurança, já nada se pode esperar. Os Governos só mexem quando a contestação transborda para a rua. Não é altura para isso — e talvez não seja por acaso. Os profissionais estão mais empenhados, com mais ocorrências e menos efetivos, porque também têm direito a férias. Este é um silêncio que o Governo confunde, deliberadamente, com satisfação.
Esta “tolerância sazonal” dos profissionais das Forças de Segurança é confundida com contentamento. A armadilha é esta: a dedicação é lida como resignação. Os profissionais cumprem o seu dever; falta ao Governo cumprir o seu. É preciso atrair jovens, mas sobretudo valorizar quem cá está há anos.
Aumentar só o salário a quem inicia a carreira é injusto: quem tem meses ganha quase o mesmo de quem deu a vida à profissão.
Nenhum país se constrói a depreciar quem o serve. Passadas as festas, os discursos vão para a gaveta, a realidade fica e a insatisfação aumenta, à espera de que, finalmente, a chuva molhe.

