Numa altura em que a contestação cresce em sectores fundamentais da administração pública, choca ouvir o Ministro da Tutela afirmar que houve aumentos nas forças de segurança, como sucedeu recentemente numa entrevista.
Ora, a valorização salarial foi, para a esmagadora maioria dos profissionais da GNR, muito abaixo da inflacção e do aumento dos bens e serviços essenciais – trata-se do segundo aumento em 13 anos de perda de poder de compra! É isto que o Governo finge não entender e por isso teima em não rever o nosso sistema remuneratório, que vigora há mais de uma década e que anda longe de dignificar as nossas funções.
A qualidade de vida dos profissionais da GNR e dos outros servidores do Estado não parece preocupar o Governo. A questão é que, previsivelmente, a contestação vai assumir outras proporções, tal como tem sucedido em muitos países da Europa e, nessa altura, será interessante constatar que quererá o Governo contar com as forças de segurança para manter a paz e a ordem, quando elas próprias sentem a mesma indignação de quem luta para subsistir com o mínimo de qualidade de vida.
Já o dissemos inúmeras vezes: este é um caminho perigoso!
César Nogueira, Presidente da Associação dos Profissionais da Guarda
IN Correio da Segurança | 22-03-2023 | jornal Correio da Manhã
OS PROFISSIONAIS DA GNR NÃO ESTAO SOZINHOS
APG-GNR | 31 ANOS | PELA DEFESA DOS NOSSOS DIREITOS
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