A falta de atratividade da GNR é hoje talvez o maior dos seus problemas. E não se trata apenas de salários e condições de trabalho: o que está em causa é algo mais profundo, mais estrutural, que há demasiado tempo carece de revisão.
Há diplomas que se cruzam, que se condicionam e, em alguns pontos, até se contradizem, sempre em prejuízo daqueles que servem a Instituição. O Estatuto dos Militares da GNR, o Estatuto Remuneratório e o Regulamento de Avaliação vivem ligados entre si, mas essa ligação, em vez de garantir coerência, tem gerado desequilíbrios e dificuldades sérias, tanto para os profissionais como para a própria Guarda.
Manter estes diplomas intocados é prolongar um desgaste e desmotivação que já se sentem no terreno. Sem alterações urgentes, faltarão candidatos e, pior ainda, crescerá o número daqueles que, já dentro da casa, aspiram procurar melhores horizontes fora dela.
Entretanto, seguimos presos em enredos que mais parecem novelas mexicanas. Sem pôr em causa a seriedade do tema nem a relevância do MAI, há uma verdade difícil de ignorar: enquanto o debate se perde no ruído, os problemas reais dos profissionais da GNR continuam à espera de solução.

